Translate

segunda-feira, 6 de junho de 2016

Antes do corpo, extermine a infância (décadas de prática)

Morto aos 10 anos.

Negaram uma moradia digna, negaram o convívio pleno com os pais, negaram a escola. Negaram carinho, negaram orientação, negaram amparo. Negaram brinquedos, negaram roupas, negaram comida. Negaram bicho de estimação, negaram pipa, negaram video-game, negaram lápis de colorir, negaram....

Agora lhe negam a infância.

Roubam-lhe a idade e lhe cobram o juízo, a consciência, o bom senso, a responsabilidade e a maturidade. Nem se fale da decência. Que seja homem e morra como bicho, como criança já não é mais possível.

Não é do menino que se deve cobrar discernimento, mas do adulto. Sobretudo do adulto formado, treinado e no exercício da sua profissão.  Que conhece as leis e os códigos morais, que tem a experiência e a vivência, que tem raciocínio desenvolvido e bom senso em seus julgamentos. É dele que devemos esperar a maturidade. No entanto, deste se aplaude a ação instintiva e visceral. A este é permitido ser criança inconsequente e violenta. É dele a infância que do outro foi roubada.

Morto aos 10 anos. Não foi o primeiro e não será o último.

Em 1973 já eram exterminados como ratos, como criança já não era mais possível.

Jornal do Brasil - 06/06/1973: Garoto espancado por PM morre no hospital

"Morreu ontem no Hospital Emilio Ribas o garoto Carlos Alberto de Araújo, de 13 anos, que há cerca de uma semana recebeu de um soldado da PM uma cacetada para ensiná-lo a ser mais cortês com um policial da corporação - em quem o menino esbarrou acidentalmente."

Folha de São Paulo - 03/06/1973: Menino de dez anos suspeito de furtar carro é morto por PM em SP
Jornal do Brasil - 06/06/1973